Imagine que o Brasil fosse dividido em dois, cada lado governado exclusivamente pelos princípios, projetos, valores e ideologias que seus eleitores escolheram nas urnas.
De um lado, um modelo de país. Do outro, uma visão diferente de sociedade, economia, educação, segurança, liberdade e justiça.
Agora vem a pergunta que realmente importa:
Se você fosse obrigado a morar, pelo resto da vida, no lado correspondente ao seu voto, sem jamais poder mudar para o outro, manteria sua escolha?
Você aceitaria viver permanentemente sob as consequências das políticas econômicas que defende? Confiaria a educação dos seus filhos, a segurança da sua família, suas economias, sua aposentadoria e seu futuro ao modelo de governo que escolheu?
Mas existe um detalhe ainda mais profundo: você também teria de conviver, diariamente, com a sociedade formada pelas pessoas que compartilham a ideologia que você defende.
Se fosse professor, seus alunos, os pais desses alunos, seus colegas e a comunidade escolar pertenceriam a esse mesmo ambiente ideológico.
Se fosse empresário, seus funcionários, clientes, fornecedores e parceiros comerciais fariam parte dessa sociedade.
Se fosse médico, seus pacientes e colegas de profissão viveriam sob os mesmos princípios e valores políticos.
Se fosse trabalhador, conviveria com empregadores, colegas e clientes que compartilham essa orientação.
Se fosse comerciante, dependeria do poder de compra, dos hábitos de consumo e das condições econômicas dessa população.
E, independentemente da sua profissão, seus vizinhos, policiais, juízes, servidores públicos, professores, médicos e governantes fariam parte dessa mesma realidade.
Você não escolheria apenas um governo. Escolheria o ambiente social, econômico, cultural e político no qual teria de viver para sempre.
Naturalmente, mesmo pessoas com a mesma ideologia continuariam tendo opiniões, interesses e comportamentos diferentes. Mas os princípios predominantes daquela sociedade seriam justamente aqueles que você ajudou a escolher.
E mais: continuaria defendendo as mesmas ideias se não pudesse escapar das consequências delas?
Porque votar é um direito. Mas refletir sobre as consequências do voto é um exercício de responsabilidade.
É fácil defender uma ideologia quando seus resultados parecem distantes. O verdadeiro teste de convicção começa quando precisamos imaginar nossa própria vida submetida, sem exceções, às decisões que apoiamos.
A reflexão não é sobre esquerda ou direita. É sobre coerência entre aquilo que defendemos para os outros e aquilo que aceitaríamos para nós mesmos.
E então, diante dessa escolha definitiva, você manteria seu voto?
“A verdadeira convicção política não se revela apenas na escolha de um governo, mas na disposição de viver sob as consequências daquilo que se defende.”
Base legal para a livre manifestação de opinião
A Constituição Federal do Brasil garante o direito à expressão e à crítica no debate público.
Conforme o Artigo 5º, inciso IV, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988,
“é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato.”
E o Artigo 5º, inciso IX, estabelece que
“é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.”
Esses princípios são fundamentos essenciais de uma sociedade democrática, na qual o debate crítico e a cobrança por responsabilidade pública são parte legítima da construção de um país mais justo, transparente e próspero.

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