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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

O PREÇO DE UMA ELEIÇÃO

 

Quando a política vence, mas a nação paga a conta

É preciso começar pelo óbvio: o governo atual tem responsabilidade, sim, pela situação fiscal e econômica que o Brasil enfrenta.

Não é possível governar, aumentar despesas, assumir compromissos e conduzir a política econômica durante um mandato e, quando a conta chega, simplesmente transferir a responsabilidade para o passado, para o mercado ou para circunstâncias externas.

O partido que hoje está no governo já esteve à frente do Brasil por aproximadamente 18 anos somados desde 2003. Portanto, não estamos falando de um grupo político sem experiência ou sem responsabilidade histórica sobre as escolhas econômicas do país.

E os números deveriam falar mais alto do que qualquer discurso.

O Brasil convive com uma dívida pública gigantesca e com uma despesa de juros que já ultrapassa R$ 1 trilhão em 12 meses. Enquanto isso, o mercado continua exigindo prêmio elevado para financiar o Estado brasileiro, refletindo, entre outros fatores, as dúvidas sobre a trajetória fiscal.

O problema não é simplesmente “o mercado”.
O mercado reage aos sinais que recebe.

Quando existe dúvida sobre equilíbrio fiscal, controle dos gastos e capacidade do governo de cumprir suas próprias metas, o custo do dinheiro aumenta.

E quem paga essa conta?

Todos nós.

Por isso, é preciso perguntar:

até onde um governo está disposto a ir para preservar uma narrativa política ou eleitoral?

Porque não existe mágica econômica.

Pode-se aumentar gastos, criar benefícios, prometer soluções fáceis e construir discursos convincentes.

Mas alguém paga.

A conta aparece nos juros, nos impostos, na inflação, no endividamento, na redução dos investimentos e nas oportunidades que deixam de existir.

E existe outro ponto que merece atenção: qualquer mudança na forma de mensurar o PIB precisa ser explicada com absoluta transparência.

É correto aperfeiçoar as estatísticas e incorporar atividades econômicas que antes eram subestimadas ou não capturadas adequadamente, desde que isso siga critérios técnicos e padrões internacionais.

Mas existe uma diferença enorme entre medir melhor a economia e fazer parecer que a economia melhorou.

PIB maior por uma mudança estatística não significa automaticamente que o brasileiro ficou mais rico.

PIB maior não paga supermercado.
Não reduz a dívida.
Não diminui a Selic.
Não aumenta automaticamente o salário.
E não resolve o problema fiscal.

E quando entram nessa discussão atividades como apostas, informalidade ou até a mensuração estatística de atividades ilícitas, o cuidado precisa ser ainda maior.

Corrupção e tráfico de drogas não podem ser tratados como se fossem sinais de prosperidade nacional. Se alguma atividade ilegal for considerada em estimativas econômicas por razões metodológicas, isso precisa ser tecnicamente justificado, claramente explicado e jamais utilizado para criar uma narrativa artificial de crescimento.

O brasileiro merece conhecer a realidade, não uma realidade estatisticamente conveniente.

Porque existe uma diferença entre administrar um país e administrar uma narrativa.

E uma eleição não deveria ser vencida a qualquer preço.

Não se pode fazer de tudo para ser eleito e, depois, deixar uma nação inteira pagar a conta.

Uma eleição dura alguns anos.

Uma dívida pode atravessar gerações.

Pode-se tentar esconder a conta com discursos, estatísticas ou falácias.

Mas a matemática não vota.
Ela simplesmente cobra.

E quando cobra mais de R$ 1 trilhão em juros, não é o discurso político que paga.

É o povo brasileiro.



Base legal para a livre manifestação de opinião

A Constituição Federal do Brasil garante o direito à expressão e à crítica no debate público.

Conforme o Artigo 5º, inciso IV, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988,
“é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato.”

E o Artigo 5º, inciso IX, estabelece que
“é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.”

Esses princípios são fundamentos essenciais de uma sociedade democrática, na qual o debate crítico e a cobrança por responsabilidade pública são parte legítima da construção de um país mais justo, transparente e próspero. 



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